Em Pauta

Aqui vários assuntos serão tratados sempre com a visão de seu autor e colaboradores. Espero que vc goste e que contribua para criarmos um espaço que contenha o que está Em Pauta na vida de cada um de nós | CONTATO: marcpuc@gmail.com

Em Pauta

Aqui vários assuntos serão tratados sempre com a visão de seu autor e colaboradores. Espero que vc goste e que contribua para criarmos um espaço que contenha o que está Em Pauta na vida de cada um de nós | CONTATO: marcpuc@gmail.com
<  Maio 2007  >
S T Q Q S S D
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30 31      
Buscar
Terra Blog

Arquivo de: Maio 2007

25.05.07

Deixem os bits com a gente

categorias: Internet

Artigo de Tiago Ritter - Sócio-Diretor da W3haus (Newsletter Maio/2007 - Agadi)


A Web 2.0 está na moda. Conteúdos colaborativos, marketing viral, comunidades online, Wikipedia, família Google de produtos: Google Search, Gmail, Orkut, AdSense, Earth e, a mais nova aquisição, You Tube. Mais do que pela qualidade das ferramentas e serviços, a Web 2.0 é um sucesso porque deu ao usuário aquilo que nenhuma outra mídia dá: PODER.

O internauta de hoje não se contenta em acessar as galerias do Louvre de seu computador. Ele quer interagir, dividir com o mundo a sua experiência de ter estado em frente ao quadro da Monalisa, quer alertar o viajante para ter paciência com o mar de japoneses que terá de enfrentar para chegar até a obra de Da Vinci. O internauta de hoje não vai ao site dos Beatles para saber se as remasterizações reunidas no disco Love são boas; ele faz uma busca no Google por blogs que falam do assunto e vai saber de outras pessoas, anônimos como ele, se vale a pena comprar o disco.

O consumidor do meio digital (interativo e com opinião) é o oposto daquele dos meios de massa (passivo e influenciável). Entender essa premissa é o ponto de partida para se criar um projeto para Internet. Chamar uma Agência Digital para o planejamento e realização desse projeto é o primeiro passo.

O tripé da construção web

Pegando carona no livro "A vida digital" de Nicholas Negroponte, podemos dizer que as agências de publicidade estão acostumadas a pensar em átomos. São responsáveis pela concepção da identidade corporativa do cliente e por trabalhar em mídias tangíveis sem resposta imediata do público, como jornais, revistas e outdoors; são predominantemente formadas por profissionais de comunicação. Já as agências digitais pensam em bits. Planejam e criam ações para um meio virtual e interativo, com resposta imediata, que pode abranger, além da comunicação, serviços e entretenimento; são formadas por profissionais multidisciplinares das áreas de comunicação, tecnologia, arquitetura e design.

Por terem essas diferenças, atuam em competências distintas e possuem expertises complementares. Ao contrário do que já se pensou no passado, as digitais não são concorrentes das agências de publicidade. É bem verdade que não faltaram tentativas de se criar núcleos web dentro das agências tradicionais. Mas o fato de a maioria, senão a totalidade, desses núcleos não existirem mais é a prova necessária de que se deve manter os átomos sob responsabilidade de um tipo de agência e os bits com outro.

Dentro dessa lógica, o mercado gaúcho tem experimentado a realização de projetos web sustentados pelo tripé: cliente, agência de publicidade e agência digital. Ao cliente, cabe passar suas necessidades, seus objetivos.

Um exemplo dessa sinergia em ação é o projeto Ipanema Gisele Bündchen. A marca de calçados da Grendene teve a campanha conceituada pela W/Brasil, e executada pela agência para as mídias impressas e TV. Para a campanha na internet, foi chamada a W3Haus que, a partir das informações conceituais recebidas do cliente e da agência, planejou e executou as ações online da marca. O resultado está em http://www.ipanemagiselebundchen.com.br.

A evolução do processo está na ratificação desse modelo junto ao mercado. O tema está na pauta tanto da Associação Gaúcha das Agências Digitais – AGADi, como da Associação Riograndense de Propaganda – ARP. Em uma primeira reunião entre as entidades, ficou claro que existe o interesse de ambas as partes. É apenas uma questão de tempo para que esse modelo saia do ambiente virtual composto por bits, e seja posto no papel formado por átomos.

11.05.07

YoPeriodista

categorias: Internet

Boa tarde, amigos.


Como vocês bem sabem, este Blog tem inspiração num jornal estudantil da década de 90. Já contei aqui que a criadora daquele veículo de comunicação foi a jornalista Ana Maria Brambilla, mestre em Comunicação, editora assistente em Internet na Editora Abril e criadora do Blog Libellus. Hoje em dia ela é uma grande profissional, mas há 10 anos era figurinha fácil nos corredores do Colégio São Judas Tadeu em Porto Alegre.


Vejam que interessante, no tempo que ela fazia um jornal estudantil, ela encontrava dificuldades para receber ajuda dos estudantes. Hoje em dia, Ana Maria é uma grande entusiasta do jornalismo colaborativo. E é por esta razão que pedi sua licença para publicar aqui no Em Pauta um de seus  comentários sobre um exemplo de jornalismo colaborativo.


Texto de Ana Maria Brambilla publicado em 11/05/07 em seu Blog:


Juro! Chegou a me dar um calor quando vi! E não, eu não estou na menopausa

O El País tem o YoPeriodista, uma página totalmente dedicada para reportagens produzidas por cidadãos repórteres.

Mais um modelo de jornalismo colaborativo que, à primeira vista, me pareceu bastante inteligente. Ele promove relatos testemunhais (embora não tenha visto muitos textos em primeira pessoa). Uma vez publicados, esses textos/fotos são expostos à opinião pública de duas maneiras:

* rankeamento tipo as estrelinhas do YouTube
* botãozito “Corregir”, que abre um mini-formulário para report de correções ou abusos

Cara, ISSO SIM É INTERAÇÃO!

E como isso já não bastasse, há remuneração de 500 euros aos melhores “yo periodistas” da semana e de 1.500 euros ao melhor “yo periodista” do mês. A escolha, claro, é do público.

Mas o motivo do calor não foi só o fato de ter encontrado mais uma bela iniciativa num jornalão tradicionalíssimo (sim, a mídia está se dobrando aos encantos da colaboração, hummm!). O que me move nessas horas é saber que grandes veículos da mídia brasileira só tomam atitudes realmente marcantes em suas trajetórias quando outros veículos da mídia internacional já as tomaram e provaram que dá certo!

E agora? Qual a desculpa para não adotar o jornalismo colaborativo?


Texto originalmente publicado em: http://anabrambilla.com/blog/archives/181


09.05.07

Quem nunca bebeu tem q ter a oportunidade de beber

Você lembra de um achocolatado em pó da Nestlé chamado Supligen?

Talvez você não lembre porque ele ficou pouco tempo no Mercado. Mas quem teve o prazer de prová-lo vai entender por que há tanta gente querendo que o mesmo volte às prateleiras do Super Mercado. Diferente de outros produtos da mesma categoria, Supligen era muito gostoso e cremoso. O único problema é que era impossível beber apenas um copo.

Poucos dias atrás, estava comentando com minha namorada que eu achava que o Nescau já não tinha mais o mesmo sabor. Nesta ocasião perguntei se ela havia conhecido o Supligen. Ela me respondeu que não e foi então que decidi procurar na Internet sobre o achocolatado. Para minha surpresa e felicidade, logo encontrei no Orkut uma comunidade de amantes do Supligen (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=865914) unidos para uma volta triunfal do produto.

Peço a todos os meus amigos leitores deste Blog e a todos os amantes de Supligen que se juntem a nós na Comunidade lá no Orkut para que possamos ter voz ativa para a volta deste produto. Afinal de contas, o que é bom deve estar ao alcance de todos.

Quem já bebeu Supligen quer ter o direito de continuar bebendo. Quem nunca bebeu tem que ter a oportunidade de beber.

 

Comunidade Supligen no Orkut: Clique aqui

04.05.07

Cérebro Eletrônico

categorias: Artigos

Texto de Cesar Paz*

Talvez pouca gente saiba, mas no início na década de 60, antes de se chamar computador, o maldito era conhecido como “cérebro eletrônico”.
No Brasil, em plena era desenvolvimentista de JK, a revista “O Cruzeiro” noticiava em letras garrafais: “Brasil vai importar cérebros eletrônicos!”.

Os esforços e a política de crescimento do presidente bossa-nova fizeram com que os primeiros cérebros eletrônicos operados no Brasil fossem instalados em diversos órgãos estatais, como o IBGE, ministérios civis e militares, Banco do Brasil e Petrobras, mas ele incentivou também que a iniciativa privada adquirisse essas enormes máquinas.

Os computadores da década de 60 ocupavam uma sala inteira, eram equipados com milhares de válvulas, se alimentavam de cartões perfurados e produziam, para a época, um gigantesco volume de dados que eram invariavelmente registrados em pilhas e pilhas de formulários contínuos.
Lógico que, naquela época, não se discutia a sustentabilidade!

O debate pautado nos anos dourados era o impacto que o computador e sua incrível capacidade de processar dados causariam na vida e no emprego das pessoas. Enfim, pairava o medo da substituição do homem, suas características, sentimentos, medos e percepções por hardwares e softwares.

Outro dia o Rafael Payão, diretor de planejamento da AG2, me lembrou de uma canção gravada em 1969 pelo atual ministro da Cultura e sempre mestre compositor Gilberto Gil, chamada exatamente de “cérebro eletrônico”.

Na canção, Gil retrata e se posiciona, com a sensibilidade dos iluminados, nesse debate que se estenderia por toda a década de 70... entre outros versos, Gil diz:

... O cérebro eletrônico comanda
Manda e desmanda
Ele é quem manda
Mas ele não anda
Só eu posso pensar
Se Deus existe
Só eu posso chorar quando estou triste
Eu cá com meus botões de carne e osso
Eu falo e ouço
Eu penso e posso...

Gil compôs essa canção mais de dez anos antes do PC e pelo menos 25 anos antes da internet comercial, compôs numa época em que os computadores residiam ainda tranqüilos, sem ameaça de vírus, em salas limpas e brancas, com piso elevado e temperatura controlada nas megacorporações.

Nos anos seguintes, o computador já não era mais chamado de cérebro eletrônico, desceu do pedestal para invadir todos os departamentos das grandes empresas (microinformática), as empresas pequenas e médias e até nossas casas.

Depois, todos os computadores se conectaram em redes locais e em pouco tempo na grande rede mundial, que passou a aceitar também outros dispositivos, como handhelds, celulares e até geladeiras!

Na continuidade natural desse mundo tecnológico e evolucionista, a bola da vez é uma “web viva”, ou melhor, a Web 2.0. Colaborativa, plena de conteúdo de opinião e serviços gratuitos (ou quase) de alta relevância e interatividade.

É nessa “web viva” que finalmente o usuário tem vez e voz. É nela que “eu falo e ouço, eu penso e posso”.
Na Web 2.0 os serviços se reinventam e se misturam num louco processo de melhoria contínua a partir da interação dos usuários. É finalmente o cérebro eletrônico a serviço da inteligência coletiva!

Para os engajados, seria como pensar numa “democracia do proletariado”; para os religiosos, num mundo monoteísta onde os “mandamentos” e a vontade divina fossem automaticamente revistos de acordo com as vontades e necessidades dos fiéis.

Esse inimaginável modelo pulsante e incontrolável criou um desconforto no mundo corporativo parecido com o que vivemos no início da internet. Hoje, é fácil observar executivos paralisados diante de questões de posicionamento no ambiente digital, simplesmente pela ruptura dos conceitos que já estavam assimilados numa “web pré-moderna”.

- Devemos fazer o blog do nosso CEO?
- Vale a pena abrir nosso portal e pedir a opinião de nossos clientes?
- Podemos utilizar “wikis” para montar uma base de conhecimento do departamento?
- Que tal colocar nossa marca no Second Life?
- Podemos criar um serviço para nossos clientes utilizando o Google Maps? 
- Vale a pena colocar um vídeo no “youtube”?

É muito interessante observar como a natureza e a lógica dos serviços da Web 2.0 desafiam a mentalidade de “comando-e-controle” das grandes corporações, e como a Web 2.0 poderá realmente fragilizar nas empresas uma série de fronteiras organizacionais entre gestores e colaboradores e entre as companhias, seus parceiros e seus clientes.

Todos os serviços que a Web 2.0 já disponibilizou para o usuário comum passaram a ser objeto de desejo do mundo dos negócios, numa inversão maravilhosa de valores e prioridades entre o mundo corporativo (que sempre foi vanguarda na definição de arquiteturas, plataformas e sistemas) e o consumidor final!

Parece que o cérebro eletrônico teve um enorme AVC e agora depende dos médicos de plantão. Oremos!

* Cesar Paz - Diretor Presidente da AG2 (Agência de Inteligência Digital S.A.)