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Artigo de Tiago Ritter - Sócio-Diretor da W3haus (Newsletter Maio/2007 - Agadi)
A Web 2.0 está na moda. Conteúdos colaborativos, marketing viral, comunidades online, Wikipedia, família Google de produtos: Google Search, Gmail, Orkut, AdSense, Earth e, a mais nova aquisição, You Tube. Mais do que pela qualidade das ferramentas e serviços, a Web 2.0 é um sucesso porque deu ao usuário aquilo que nenhuma outra mídia dá: PODER.
O internauta de hoje não se contenta em acessar as galerias do Louvre de seu computador. Ele quer interagir, dividir com o mundo a sua experiência de ter estado em frente ao quadro da Monalisa, quer alertar o viajante para ter paciência com o mar de japoneses que terá de enfrentar para chegar até a obra de Da Vinci. O internauta de hoje não vai ao site dos Beatles para saber se as remasterizações reunidas no disco Love são boas; ele faz uma busca no Google por blogs que falam do assunto e vai saber de outras pessoas, anônimos como ele, se vale a pena comprar o disco.
O consumidor do meio digital (interativo e com opinião) é o oposto daquele dos meios de massa (passivo e influenciável). Entender essa premissa é o ponto de partida para se criar um projeto para Internet. Chamar uma Agência Digital para o planejamento e realização desse projeto é o primeiro passo.
O tripé da construção web
Pegando carona no livro "A vida digital" de Nicholas Negroponte, podemos dizer que as agências de publicidade estão acostumadas a pensar em átomos. São responsáveis pela concepção da identidade corporativa do cliente e por trabalhar em mídias tangíveis sem resposta imediata do público, como jornais, revistas e outdoors; são predominantemente formadas por profissionais de comunicação. Já as agências digitais pensam em bits. Planejam e criam ações para um meio virtual e interativo, com resposta imediata, que pode abranger, além da comunicação, serviços e entretenimento; são formadas por profissionais multidisciplinares das áreas de comunicação, tecnologia, arquitetura e design.
Por terem essas diferenças, atuam em competências distintas e possuem expertises complementares. Ao contrário do que já se pensou no passado, as digitais não são concorrentes das agências de publicidade. É bem verdade que não faltaram tentativas de se criar núcleos web dentro das agências tradicionais. Mas o fato de a maioria, senão a totalidade, desses núcleos não existirem mais é a prova necessária de que se deve manter os átomos sob responsabilidade de um tipo de agência e os bits com outro.
Dentro dessa lógica, o mercado gaúcho tem experimentado a realização de projetos web sustentados pelo tripé: cliente, agência de publicidade e agência digital. Ao cliente, cabe passar suas necessidades, seus objetivos.
Um exemplo dessa sinergia em ação é o projeto Ipanema Gisele Bündchen. A marca de calçados da Grendene teve a campanha conceituada pela W/Brasil, e executada pela agência para as mídias impressas e TV. Para a campanha na internet, foi chamada a W3Haus que, a partir das informações conceituais recebidas do cliente e da agência, planejou e executou as ações online da marca. O resultado está em http://www.ipanemagiselebundchen.com.br.
A evolução do processo está na ratificação desse modelo junto ao mercado. O tema está na pauta tanto da Associação Gaúcha das Agências Digitais – AGADi, como da Associação Riograndense de Propaganda – ARP. Em uma primeira reunião entre as entidades, ficou claro que existe o interesse de ambas as partes. É apenas uma questão de tempo para que esse modelo saia do ambiente virtual composto por bits, e seja posto no papel formado por átomos.
criado por Marcelo Dutra
16:10:12